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Publicada em 27-01-2014 no jornal PÚBLICO, no Suplemento " Empresas e Empresários"

Mais de 100 anos de arte e tradição no cobre

Nesta edição o Empresas & Empresários apresenta-lhe aquela que é, provavelmente, “uma das mais antigas empresas a nível mundial a trabalhar o cobre”. A actividade da Albino Vieira, Filhos, Lda. centra-se na produção e comércio de caldeiraria e artigos de cobre, bronze e latão que são fabricados essencialmente para servir o mercado agrícola e vinícola tanto nacional como internacional.

Quando se houve falar em cobre quase que é impossível não pensar em tradição e história. De facto, este é um material milenar que conseguiu substituir a pedra como ferramenta de trabalho, assim como, acompanhar a própria evolução tecnológica do homem. Hoje as suas aplicações são, sobretudo, para uso doméstico ou industrial e as suas propriedades enquanto metal são benéficas na hora de construir peças úteis, funcionais e com durabilidade visto que possui uma grande resistência à corrosão devido às suas propriedades químicas, para além de que é um material completamente reciclável.

Em Portugal, a cidade de Aveiro guarda um pequeno tesouro ligado à tradição do cobre há mais de 100 anos. Falamos da Albino Vieira, Filhos, Lda., situada na Costa do Valado, que foi fundada em 1910 por Albino Vieira dos Santos na sua própria residência, perto das actuais instalações construídas em 1955. Este património já passou pelas mãos de três gerações e hoje é o neto, também chamado Albino Vieira, que gere o negócio da família juntamente com a sua irmã, Célia Maria de Matos Vieira, com quem partilha em partes iguais a sociedade da empresa, apesar de esta actualmente residir nos Estados Unidos da América.

Os primórdios desta empresa começaram com a fabricação de alambiques. “O meu avô começou com a produção de alambiques e máquinas de sulfatar,”. Albino Vieira destaca que “a produção da empresa continua a ser praticamente artesanal mas está direccionada especialmente para os sectores agrícola, vinícola e industrial” oferecendo uma vasta gama de equipamentos adequados para esses nichos de mercado. Falamos de destilarias, alambiques, pulverizadores / atomizadores, até cubas reservatório de aço inox, passando também pelos artigos de decoração e artigos para cozinha. “Já vendemos equipamentos para Estados Unidos, Rússia, Macau, Cabo Verde, Angola, Alemanha, Espanha e França”, acrescenta o empresário.

A Albino Viera possui alambiques para a produção de aguardente através da destilação de bagaço, medronho e cana-de-açúcar, e para produção de essências. A empresa destaca que “todos os alambiques são fabricados em cobre de maneira artesanal” e “a sua qualidade é reconhecida internacionalmente não só pela sua estrutura mas também pela sua durabilidade”. Em termos de tamanho, os alambiques podem ser miniaturas para finalidades decorativas ou então podem ir até aos mil litros. Depois existem os alambiques de coluna usados especificamente para a destilação de sólidos como o bagaço e para a produção de óleos de essência, e ainda os alambiques de banho-maria para destilação de líquidos que funcionam com uma dupla caldeira na qual é colocada água (caldeira exterior) que aquece o produto a destilar (caldeira interior).

Já no que toca às destilarias a empresa dispõe para uma produção industrial de álcool, destilarias de 1 a 4 colunas de queima de 300 ou 500 litros por vaso (coluna), sendo que esta pode ser adaptada ao produto a destilar (bagaço, cana de açúcar, vinho, etc.) de maneira a rentabilizar o projecto do cliente.

Em termos de rendimento de cana-de-açúcar, a Albino Vieira diz que “nas destilarias com colunas de 500 Litros (no caso da cana levam somente 200 a 250 litros) o rendimento por coluna é de cerca de 40 a 50 litros por hora de aguardente a 50º GL”. Já no que toca ao bagaço, o rendimento médio considerando o destilado (aguardente) a 50° GL, é de aproximadamente “10 litros por cada 100 kgs de bagaço”, mas claro que “isto varia em função do tipo de bagaço e do seu respectivo teor alcoólico”.

No que toca aos pulverizadores, conhecidas também como máquinas de sulfatar, estes são comercializados com a marca EXTRAL, um produto criado pela Albino Vieira e que é construído em cobre com aro de latão. Este é um equipamento com uma grande durabilidade e que tem uma capacidade de mais ou menos 11 litros. Outro destaque são os atomizadores AVEIRO, um equipamento portátil, flexível e eficiente que facilmente pode ser utilizado para aplicar herbicidas mas também para limpar folhas e relva em jardins de dimensão mais reduzida. Estes atomizadores estão equipados com motores e podem ter ou não bomba de elevação.

Para além do cobre, Albino Vieira acrescenta que a empresa também utiliza o inox para a fabricação de cubas que cumprem com as exigências colocadas pela legislação actual que regula a produção dos produtos alimentares. Para além de ter cubas standard em inox, a empresa também fabrica cubas por encomenda seguindo as especificações colocadas pelo cliente.

Como o cobre também tem um papel significante na gastronomia, a Albino Vieira também fabrica cataplanas, que é a conhecida panela metálica utilizada na cozinha típica Algarvia e que é constituída por duas partes côncavas, às cataplanas juntam-se os tachos denominados de pasteleiro em cobre de fundo redondo, ideal para a doçaria tradicional como os ovos-moles, os tachos em latão e cobre e a Paellera ou Paella, que é uma espécie de frigideira.

Nos dias de hoje, a Albino Vieira, Filhos, Lda. é um bom exemplo de uma empresa que tem sabido conjugar a tradição da arte de transformação do cobre com a inovação ao desenvolver equipamentos funcionais com um nível qualitativo elevado. O cobre é assim um material do passado, que acompanha o presente e que irá manter-se no futuro não só devido às suas propriedades, como também devido ao atractivo valor das suas inimitáveis características estéticas.